A professora Marina França, que ministra disciplinas de Processo Civil na Dom Helder, participou da semana comemorativa do Dia Internacional das Mulheres promovida pela Associação dos Defensores Públicos do Rio de Janeiro. O tema do evento foi ‘Mulheres na Justiça: Barreiras Visíveis e Invisíveis’.
 
A professora apresentou conclusões obtidas na sua tese de doutorado ‘A Importância da Diversidade de Gênero nos Tribunais Superiores’ defendida no Programa de Pós-graduação Dinter PUC-Rio/Dom Helder em junho passado, acerca dos obstáculos sofridos pelas mulheres para o ingresso e a ascensão, como magistradas, no sistema de Justiça.
 
“Os resultados foram obtidos por meio do exame, inspirado na análise do discurso, das arguições públicas dos últimos 11 ministros indicados ao Supremo Tribunal Federal (STF), bem como de notícias de jornais, entrevistas, depoimentos e relatos de variadas fontes publicizados no processo de escolha desses magistrados, permitindo-se apreender o que é dito e o que é silenciado em relação à questão de gênero e à construção da figura da mulher no sistema judicial brasileiro”, explicou Marina.
 
De acordo com conclusão apresentada pela professora, as mulheres são submetidas a uma série de constrangimentos de gênero, tanto no processo de recrutamento dos magistrados quanto no cotidiano profissional, o que define o lugar de poder por elas ainda ocupado no sistema de justiça. A análise revela a importância atual do gênero como critério de diferenciação social e a persistência de obstáculos atuantes em relação às mulheres, que não são claramente evidentes, mas que restringem a atuação e o poder das mulheres em realidades marcadas pela desigualdade de gênero.
 
“A palestra motivou os Defensores Públicos presentes a cobrar da administração da entidade um diagnóstico para identificar a situação institucional das mulheres, de modo a viabilizar a implementação de estratégias para o combate ao machismo institucional”, contou a professora.