A aluna Daphinne Tamires Nogueira finalizou o curso de Direito na Dom Helder da melhor forma possível. Nesta quinta-feira (20), ela defendeu a monografia ‘Igualdade racial no Estado Democrático de Direito: (in) efetividade normativa na era dos direitos humanos’ e conquistou nota máxima da banca examinadora, formada pelos professores Sébastien Kiwonghi Bizawu, orientador do trabalho, e Thiago Loures Machado. 

“É um trabalho excelente, que nos dá uma perspectiva de reflexão sobre o mito da democracia racial, de afirmar que não existe preconceito racial no Brasil, sendo que ele existe. Muitas vezes de forma velada, outra vezes de forma mais agressiva, mas ele existe e deve ser combatido. Combatido academicamente com trabalhos de excelente qualidade, como o apresentado pela Daphinne hoje”, afirmou o professor Thiago Loures. 

O orientador Sébastien Kiwonghi também deixou elogios à estudante. “É uma pesquisa muito interessante por abordar um tema que está sempre na mídia, sobretudo em nossa sociedade brasileira – a questão de igualdade racial, de Direitos Humanos, e ao mesmo tempo, a efetividade ou não das normas que regem a questão racial”, avaliou o professor. 

Após a defesa, Daphinne conversou com a equipe do portal Dom Total, confira:

O que motivou a sua escolha pelo tema da igualdade racial?

A escolha foi motivada pela minha própria história como mulher e negra. A minha mãe sempre me educou com essa consciência, e lembrando que eu deveria atuar para fazer a diferença na sociedade. Então, a partir de toda uma construção que eu tive, acabei me tornando Miss Beleza Negra, em Contagem, aí comecei a estudar mais sobre essas questões. Por ser uma referência negra para as pessoas, comecei a ficar com o olhar ainda mais atento. Isso eu já estava na metade da graduação. Então eu falei: preciso fazer um trabalho direcionado para a igualdade racial, porque é um lugar que eu vou querer atuar, que eu quero estar presente não só como modelo, mas principalmente como advogada. Quero atuar neste contexto, então nada melhor do que começar pela monografia. 

Como você desenvolveu o trabalho?

A partir da pesquisa bibliografia, buscando referenciais teóricos. Eu utilizei uma autora muito importante na academia, dentro do Direito, que se chama Geziela Iensue. Ela é uma das poucas pessoas que discutem esse tema, principalmente dentro de doutorado – a igualdade racial, a efetividade das normas. Mas também utilizei outros autores para dar embasamento a todo o trabalho.

Esse processo de pesquisa mudou sua visão sobre o tema?

Eu já tinha uma visão antes, tive até que tomar muito cuidado para não colocar essas impressões todas no trabalho, mas durante a pesquisa vi que continuavam as mesmas. Constatei que as normas sobre igualdade racial não têm uma efetividade ainda na nossa sociedade, elas não têm uma aplicabilidade. As pessoas não têm ainda consciência de como podem atuar para melhorar essas questões de discriminação, preconceito, racismo. Então isso tudo eu fui trabalhando durante os capítulos da monografia.

Ao final eu percebi que, infelizmente, a gente ainda tem muito o que avançar. O que aponto é que devemos desconstruir toda uma questão histórica e opressora, que está impregnada no inconsciente social, e desenvolver uma postura mais consciente e atuante, para acabar com essas discriminações, essas diferenças. E isso também vai influenciar no meio político e no meio jurídico, em que nós [alunos] iremos atuar, de alguma forma. Precisamos criar normas que realmente produzam efeitos positivos na sociedade.

Como você avalia sua experiência na Dom Helder?

A experiência na Dom Helder foi a melhor possível. Gosto muito de falar isso, não para me envaidecer ou algo assim, nada disso, mas como forma de prestar mesmo atenção ao que acontece. Eu converso muito, dou palestras sobre essa questão da representatividade, e falo que sou uma raridade na Dom Helder, infelizmente. É uma escola particular, não é das mais baratas, mas o preço é compatível com o ensino e com toda a infraestrutura, acho que é uma das melhores. Mas sou uma exceção à regra. Sou uma negra, não sou bolsista, apesar que a faculdade atua muito nesta questão de bolsas para alunos, sei que inclusive já teve bolsas para afrodescendentes. Então a faculdade cumpre seu papel social, acredito nisso, e principalmente com o Afrodom, que é um local que pode motivar essas pesquisas científicas. Esse é um dos diferenciais da faculdade.
Daphinne Tamires Nogueira defende monografia na Dom Helder.
Daphinne Tamires Nogueira defende monografia na Dom Helder.
Daphinne Tamires Nogueira defende monografia na Dom Helder.
Daphinne Tamires Nogueira defende monografia na Dom Helder.
Daphinne Tamires Nogueira defende monografia na Dom Helder.
Daphinne Tamires Nogueira defende monografia na Dom Helder.
Professores Sébastien Kiwonghi Bizawu, orientador do trabalho, e Thiago Loures Machado.
Professores Sébastien Kiwonghi Bizawu, orientador do trabalho, e Thiago Loures Machado.
Professores Sébastien Kiwonghi Bizawu, orientador do trabalho, e Thiago Loures Machado.
Professores Sébastien Kiwonghi Bizawu, orientador do trabalho, e Thiago Loures Machado.
Daphinne recebe os cumprimentos da banca examinadora.
Daphinne recebe os cumprimentos da banca examinadora.
Daphinne Tamires Nogueira defende monografia na Dom Helder.
Daphinne Tamires Nogueira defende monografia na Dom Helder.
A psicóloga Gê Nogueira, mãe de Daphinne, compareceu à Dom Helder para acompanhar a defesa da filha.
A psicóloga Gê Nogueira, mãe de Daphinne, compareceu à Dom Helder para acompanhar a defesa da filha.
Daphinne recebe os cumprimentos após a defesa.
Daphinne recebe os cumprimentos após a defesa.