Pular para o conteúdo

Clóvis de Barros e Projota abrem III Congresso do Conhecimento




Uma noite para ficar na memória. A abertura do III Congresso do Conhecimento, promovida na noite desta terça-feira (20), trouxe reflexões, música, debates, emoção e movimento para a Dom Helder Escola Superior. O professor Clóvis de Barros Filho, jornalista e livre-docente da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (USP), realizou a primeira conferência do evento, compartilhando pensamentos sobre a educação e o conhecimento. E contou histórias. Muitas histórias. Sobre a rainha da ilha de Creta, a queda de Ícaro, o problema do ‘mundo da técnica’ e a liberdade de fazer escolhas. Histórias que citaram Aristóteles, Rousseau, Sartre e Jesus de Nazaré, e também Nietzsche, Gabriel García Márquez, o jogador Messi, entre tantos outros. 

Com humor e profundidade, Clóvis de Barros refletiu sobre acontecimentos pessoais, como a aflição de seus pais diante sua falta de talento para atividades tracionais – esportes, música ou artes – e sua descoberta como “explicador”, aquele que dava aulas para os colegas antes das provas, ainda no colégio. Educar tornou-se então a sua missão de vida, à qual se dedica há mais de 30 anos, sem ‘plano B’. Ao citar Paulo Freire, reforçou a importância de educar para liberdade e destacou quatro importantes pilares: formar pessoas com coragem para liderar; identificar talentos e apostar em sua própria natureza; cultivar o hábito da excelência; e transformar a vida do próximo por meio do oferecimento.

“Educar para criar um hábito. Que hábito é esse? É o hábito de fazer sempre o melhor. Em português, recebe o nome de excelência – fazer sempre, o mais perfeitamente, aquilo que o seu talento permite”, afirmou Clóvis. De acordo com o professor, esse hábito é esculpido com treinamento e repetição, e tem como sua força contrária a mediocridade. “De médio mesmo. Não é de nota 0. É de nota 5, que é a pior. Como? O cara que tira a nota 0 chama a atenção na hora. É uma vez só. O ‘nota 5’ é opaco e invisível. O ‘nota 5’ não sabe nada e passa. Está junto com o ‘nota 10’, e se vangloria”, disse o professor.

Clóvis também convidou todos a refletirem sobre quais são seus alegradores neste mundo. Para ele, estão neste grupo as novelas e reprises do canal Viva, o futebol e a culinária. E ressaltou a importância de viver o momento presente, com ‘os dois olhos, os dois pés e as duas mãos’, já que dividir o foco pode fragilizar e empobrecer as experiências. “Toda vez que alguém sugerir que está aqui apenas para passar de ano, entenda que esse é o símbolo de uma vida fracassada”, apontou. O maior investimento, segundo o professor, é tornar o estudo e o aprendizado como valiosos e potentes em si mesmos, e não como instrumentos para uma vantagem posterior. “Você vai prestar concurso, naturalmente que vai. Trabalhar no escritório, naturalmente que vai. Mas essa vida aqui, vivida neste instante, é dificilmente superável. Ela é fabulosa, ela é encantadora, é incrível”, completou. Por fim, Clóvis de Barros respondeu perguntas dos estudantes, em debate mediado pelo professor Élcio Nacur Rezende, da Dom Helder.

Projota

Após breve intervalo, o III Congresso foi retomado com show do rapper Projota, que levantou o auditório da Dom Helder – literalmente. Entre novas músicas e os maiores sucessos de sua carreira, o rapper também contou histórias. Falou sobre o hip hop, suas crenças e mudanças de perspectiva, e fatos que marcaram sua vida. “Eu não acredito mais no que acreditava em tempos atrás. Quando eu descobri o hip hop, ele me foi apresentado como um movimento social e cultural da periferia, que nasceu nos Estados Unidos e era composto pelos quatro elementos iniciais – o DJ, o MC, o B-Boy e o grafite. Mas hoje vejo o hip hop como uma parada diferente. O hip hop é isso aqui. (…) O quinto elemento é o conhecimento”, disse Projota. Para completar, o rapper convidou um estudante da plateia para um momento de improviso no palco, ilustrando na prática o tema de sua palestra-show “Educação e cultura freestyle”.

Abertura

A noite de abertura do III Congresso contou ainda com apresentações da estudante Beatriz Nassif e do Coral da Dom Helder, e boas-vindas do vice-reitor da Instituição, professor Franclim Brito, que destacou a honra em receber a todos para o evento. Franclim também realizou breve retrospectiva das primeiras edições do Congresso do Conhecimento, realizadas em 2017 e 2019, e comentou as mudanças causadas na educação pela pandemia da Covid-19 e o isolamento social. “Tivemos que estudar como nunca havíamos feito. O mundo virtual tornou-se realidade para nossos afazeres. Agora somos convidados a voltar, a fazer um outro movimento. (…) Temos um enorme desafio, que é reaprender, metodologicamente, como retornar à sala de aula e torná-la um espaço de aprendizado”, afirmou Franclim. O III Congresso, inclusive, representa o retorno da Dom Helder aos grandes eventos presenciais, de acordo com o professor.

As atividades do evento prosseguem até sexta-feira (23), confira a programação.

Patrícia Azevedo | Necom Dom Helder

 

QUER CONHECER A DOM HELDER E A EMGE MAIS DE PERTO?

Estamos de portas abertas pra você!

Agende uma visita Tour Virtual

© 2022 Escola Superior Dom Helder Câmara - Todos os direitos reservados - By: Renato Ferraz