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Missa dos Quilombos é celebrada pela Dom Helder




No último sábado (19), a Dom Helder promoveu uma celebração dos 40 anos da Missa dos Quilombos, por ocasião do Dia Nacional da Consciência Negra. Além de celebrar a vida afro-brasileira, a missa foi uma ação de graças pelo 80° aniversário de Milton Nascimento, compositor musical da Missa dos Quilombos. 

Presidida pelo Pe. Kiwonghi Bizawu, a missa teve como concelebrantes o Pe. Áureo Nogueira, Pe. Carlos Henrique, Pe. Eduardo Severino, Pe. Marcelo Aquino e o reitor Pe. Paulo Stumpf. Ela contou também com a participação do grupo Tizumba – Tambores de Minas e a presença dos colaboradores, docentes e discentes da Dom Helder, membros dos conselhos e representantes de grupos afro-descendentes de Belo Horizonte.

A Dom Helder agradeceu pela vida de tantos irmãos descendentes e pela vida e obra de Milton Nascimento. Também pediu a Deus para que, após a pandemia de tantos desafios, possamos todos caminharmos juntos, construindo relações humanas, fraternas, verdadeiras e justas. Em seguida, o público participou da procissão de entrada da Missa criada por Pedro Casaldáliga, Pedro Tierra e Milton Nascimento.

Milton Nascimento escreveu uma carta especialmente para este evento, e foi lida por Tizumba. “Fico muito contente e agradecido pela celebração dos Quilombos e que vocês lembraram do meu aniversário. Gostaria de dizer que lembro com carinho do show do centenário do nascimento de Dom Helder Câmara, em 2009, promovido pela Escola Superior. A Missa dos Quilombos marcou profundamente a minha vida e ainda aquece o meu coração o momento emocionante em que Dom Helder invocou Mariama”, escreveu Milton.  

A missa seguiu com o ato penitencial, procissão com a bíblia, e a liturgia da palavra, permanecendo todos de pé para receber a palavra de Deus. 

No momento de partilha do evangelho, foi convidado para compartilhar a palavra o artista Jorge dos Anjos. “Nós temos uma história de luta, temos a todo tempo que sermos guerreiros. Eu ficaria muito feliz se um dia não precisássemos sermos guerreiros a todo tempo. A luta constante é muito cansativa”, expressou.

Sob um olhar feminino de experiência, a professora Helen Almeida, mulher preta e ativista em Direitos Humanos, proferiu uma forte mensagem sobre sua trajetória e reconhecimento da identidade afro-descendente. Ela disse: “A minha chegada na Dom Helder, há 6 anos, coincide com meu processo de resgate do ser. É exatamente este o tempo da minha vida que sei quem eu sou, mas, mais do que isso, eu gosto de ser quem eu sou. Foram duas mulheres dessa Escola que me ajudaram a me reencontrar”. Helen contou que percebeu nesta curta e importante trajetória que havia um espaço que precisava ocupar. “Ocupar este lugar me fez perceber a necessidade de aprofundamento no letramento racial, e, quanto à este processo, preciso publicamente atribuir o mérito às nossas alunas e alunos, que pela luta diária, pela militância e suas experiências, me mostraram a importância e a responsabilidade do lugar que eu ocupo. E, apesar de ser sobre mim, é também sobre nós. Ocupar este lugar me fez ir atrás das minhas raízes”, completou. 

O Pe. Kiwonghi mencionou que a liturgia da palavra da Missa dos Quilombos nos faz contemplar a utopia do reino de Deus, ou seja, o sonho que nos anima, que nos faz caminhar em direção a um mundo mais feliz, solidário e justo, em que as pessoas sejam respeitadas.

Em seguida, foram apresentadas a Deus as ofertas, levadas pelos representantes de diferentes matrizes africanas e simbolizando os frutos do trabalho dos escravos. Após realizado o Ofertório e momento da oração eucarística, o Pe. Paulo manifestou a alegria de reunir todos na celebração da Missa dos Quilombos. Ele saudou, com especial afeto, os pais de santo representando suas comunidades candomblés, as paróquias e as comunidades eclesiais presentes. Saudou também Mário Miranda, companheiro da Escola na defesa e promoção dos direitos humanos, e demonstrou carinho ao grupo Tizumba.

Em nome da comunidade acadêmica, o reitor Pe. Paulo convidou o vice-reitor Franclin Brito acompanhado da família, para anunciar que a Dom Helder estará lançando um movimento de advogados a favor dos afro-mineiros e de combate ao racismo. Este movimento irá acompanhar todas as denúncias de racismo, junto ao Ministério Público, e exigir apuração e punição. “Não podemos aceitar como normal o que tem acontecido no Brasil nos últimos anos. A Dom Helder Câmara, fiel ao seu patrono, quer dizer publicamente: não aceitaremos nenhum tipo de discriminação. Não se trata de somente respeitar como se fosse tolerar. Aqui iremos valorizar as diferenças culturais, raciais, étnicas, políticas, sexuais e de orientação sexual”, informou o reitor. Ele anunciou também que, a partir do próximo ano, irá priorizar a contratação de docentes e colaboradores afro-mineiros. O intuito destas decisões é para que possamos assim, juntos, construirmos um ambiente melhor, resgatarmos a alegria de nos encontrar, a coragem de irmos para as ruas e manifestarmos como uma família universal de Deus.

Há 40 anos, na Missa dos Quilombos, Dom Helder Câmara proferiu uma oração de invocação à Mariama, Nossa Senhora Aparecida. Para relembrar este memorável momento, unidos à voz de Dom Helder, em profundo silêncio, os fiéis fizeram uma oração em saudação à Mãe. 

Encerrando o evento, todos foram convidados a saborear a mesa da partilha com petiscos da culinária brasileira. 

A celebração dos 40 anos da Missa dos Quilombos e 80 anos de Milton Nascimento foi uma iniciativa da direção da Dom Helder, por meio do reitor e vice-reitor, com o grupo de pesquisa Afrodom e jesuítas, e pela professora Mariza Rios, com o apoio de todas as pró-reitorias da Escola. A professora contou que deseja que este encontro fortaleça os laços de amizade, a fim de que possamos prosseguir contribuindo para a conquista de uma sociedade mais fraterna e sem discriminação e preconceitos. 

O Pe. Kiwoghi, presidente da Missa e pró-reitor da Dom Helder, disse que a importância desta comemoração nos proporcionou momentos de esperança para um Brasil melhor, nos fazendo lembrar o sofrimento dos nossos antepassados pretos, mas também tendo o olhar para um futuro melhor. “Celebramos a esperança de dias melhores em uma sociedade onde temos ainda as desigualdades sociais, sobretudo, o desemprego dos afrodescendentes e a falta de oportunidades em um país onde temos tantas injustiças. Queremos abrir sempre o caminho da esperança”, finalizou.

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